03 julho 2026

Apenas uma coisa para ser feliz

 Ser adaptável é a melhor forma de viver em felicidade.

Pegando na teoria da evolução de Darwin, quem se adapta tem maior chances de viver
E viver é a única missão que temos na vida. 
Não viver somente porque se respira, come e dorme
mas viver com convicção, com dedicação, de corpo e alma.

É saber que o processo de adaptação exige tolerância, criatividade e resiliência.
É perceber que ser feliz não é estar sempre sentindo contentamento, 
mas sentir-se em paz e com fé nas tormentas.

Sentir esperança, tristeza, dúvida, vontade,ansiedade, alegria e tantas outras emoções de que somos feitos,
é sempre uma escolha, e ser adaptável é escolher melhor o que queremos sentir e pensar.
Não são as circunstâncias que determinam, 
mas o que decidimos sentir, pensar e "carregar"  dessas circunstâncias. 

Ser adaptável é ser humilde , é ter curiosidade, nem que seja para provar da dor
a dor de uma queda, a dor de uma perda, a dor pela dor do próximo, 
para depois, mais tarde, saber apreciar melhor as coisas boas da vida,
Agradecer...
Tudo isso é viver, mesmo que num paraíso caótico, 
no final, o importante é ser adaptável.

02 julho 2026

80 e 26

Eu nem queria ir.

Cyndi Lauper e Rod Stewart.
Foi a minha amiga que insistiu.
Nunca achei graça à Cyndi Lauper nos anos 80 do século XX.
O Rod Stewart até que gosto das suas canções dançantes, 
mas agora tem 81 anos...

Mas fui, pois fazer feliz a minha amiga é mais importante.

Confesso que me surpreendi.
O espanto ao assistir a uma cantora de 72 anos cheia de vida
A banda apenas tinha um guitarrista solo e um backing vocal,
de resto eram todas mulheres, lindas, cheias de vida,
com uma baterista  grávida.
E os tradutores de língua gestual no cantinho inferior esquerdo? Tão fixe.

Ainda com o frenesim causado pelo espanto, esperámos sorridentes pelo Rod.
45 minutos passados e o palco ilumina-se, juntamente com a lua quase cheia, entre as luzes da ponte.

Rod Stewart, um Crooner com estilo, uma banda com 6 mulheres lindíssimas a dançar, 3 cantoras e 3 músicas (violinos, bandolim, harpa, tambor).
Um elenco de luxo, beleza, sofisticação e garra, 
garra pela vida, sentiu-se isso na voz do Rod, cheia de feeling.

Não foi um regresso ao passado ir ver um concerto de estrelas do passado.
Foi um encontro no agora, que ficará na memória.   

31 outubro 2022

Librianos ...

 

Os humanos assustam-me.

Mas também me divertem,

Com os seus paradoxos, fatalismos, dogmas e ilusões.

E eu , em cima do muro, entre a miséria e a glória humana

Vou observando e sentindo

Entre o desgosto e a esperança

Nesta solitude de querer trazer mais seres para junto de mim no paraíso.

Entre seguir só, feliz e em paz, numa vida tranquila que já alcancei,

Ou fazer qualquer coisa pelo mundo, que certamente envolve tormentos e sustos.

E depois de algumas reflexões, nem sei ao certo, sento-me no muro a rir

Ali, parada a rir,

Outras vezes a chorar

E a não fazer nada.


08 agosto 2021

"Let's stay together"

Clubes, patriotismos, poderes, bairrismos, santos, religiões, partidos, famosos

Qualquer tipo de ídolo,

Talvez tenha levado a sério os 10 Mandamentos de Moisés

quando os li em criança

Ou porque tenho alma de anarquista e gosto é de ser livre.

Seja qual for a razão

Sempre pensei que não tinha ídolos

E agora estou aqui a refletir, 

pois há um ser neste planeta Terra

que admiro de tal forma que até parece ser um ídolo,

uma mulher maravilhosa, admirável, talentosa e humilde

a mulher mais interessante que conheço,

não a conheço pessoalmente, 

nem tive a loucura suficiente para a ir ver e ouvir num dos seus últimos concertos, 

embora o destino me levasse a Londres no dia desse concerto,

Que sacrilégio!

Não a conheço, mas sinto que estou em sintonia com a sua energia

E fico aqui a pensar se afinal tenho um ídolo

E se tenho, olha, que assim seja

pois se ela for um ídolo

a Tina é certamente um dos bons.

23 junho 2021

35 anos depois

Linda flor num vaso

No parapeito da janela

As pessoas passam por acaso

Sem perceberem a presença dela


E assim, o tempo passou

E a rotina das pessoas continuava,

De sede a linda flor murchou

Porque ninguém a regava


Os fortes raios de sol a torravam

As pessoas agora faziam caso

Com desdem a olhavam

"- Que feia flor naquele vaso."


Junho 1986


35 anos depois e nada mudou...

09 junho 2021

"Dou-te um pontapé no cu, que morres de fome no ar"

Meu amigo, meu irmão, meu amor

44 anos do sol juntos

As torradas de trigo transgénico com manteiga e a ciência eram as tuas aliadas

Afinal  vamos todos morrer um dia

E o que importa é viver no agora

Mas eras tão novo, tão perto de mim, tão sorridente

Meu amigo, meu irmão, meu amor

Cabrão que não me ouviste

Que não ouviste o teu corpo

Meu querido, meu amor

Tomar banho no rio Alva

Tão gelado como a morte

Nós nus, como a vida.

A minha primeira viagem na moto bmw de Coimbra Porto

O festival de 1982.

A saudade dos 10 anos separados por um oceano

E reencontro e os nossos filhos

A tua afilhada sem padrinho

Oh Mike, meu amigo, meu irmão, meu amor

Nus deitados numa cama de hotel 

De destinos cruzados

Sem carne, só amor fraternal

Meu irmão mais velho, meu amigo, meu amor

Carago, puta da minha vida

Apressaste-te

03 junho 2021

“Don’t cry”

As pessoas dizem que não gostam de sofrer, mas estão sempre em sofrimento.

Um mundo de sofrimento auto-infligido pelos dogmas, pela violência, pelo medo, pela soberba, pela doença, pela ignorância.

Fiquei sem voz, sem palavras, só emoções que me rompem os tímpanos e as entranhas de sensações estranhas por estar a existir nesta dimensão tão densa de dor, confusão e turpor.

E despertar doi, a luz ofusca, e há este resistir em não ser especial , porque a responsabilidade é maior, e há esta tentação em seguir o caminho mais fácil, o das ruas da amargura, do fatalismo, da crença cega em algo que não vale nada.

Abruptamente invadem-me rios lamacentos de incertezas, de perdição humana, tão perdida como uma criança numa floresta à noite a ouvir o silêncio dos pirilampos.

Depois vem a música, aquele veículo de comunicação que às vezes toca os pés da eternidade , essa essência perdida no espaço que é tão eterna quanto misteriosa e que nos esmaga de tanta grandeza que até parece bom demais para acreditar que é verdade.

E nessa descrença no milagre do sagrado, que foi profanado e conspurcado pelos medos e ímpetos violentos vividos através dos tempos humanos, cá estamos em queda, como a Alice, que disse ter visto um coelho atrasado que nem sabe porque está atrasado, mas o facto de estar atrasado dá-lhe um propósito de vida, ir sem saber porque se vai, ou melhor, vai-se por medo, porque existe uma rainha que corta cabeças. E esta mistura de queda com a ilusão de ter que ir, é como a coca-cola com whisky que rebenta com o fígado e o cérebro. 

Fuga, sai de retro, vou para a frente, vou para trás e rodo e volto a avançar, e doem-me os joelhos porque não me consigo dobrar.

Roçar na morte da carne, tão tentador, roçar no renascimento em outra vida sem corpo, somente yin e yang disperso na não matéria. 

E depois vejo o rosto dos meus filhos, tão lindos, e vêm os apegos terrenos, o toque, os abraços, os beijos, os cheiros, a comida, a música, ah a música.

E o resultado da esplanação dá para ver que faço parte do clã de ser gente, a gente que sofre, mas a diferença, é que sabendo eu que o sofrimento é uma ilusão,  doi tanto que até dá mais vontade de viver, seja no planeta Terra, seja onde for. 







19 abril 2021

In vino veritas

Estive a trabalhar o fim-de-semana inteiro

e hoje almocei na varanda ao sol e o rosé subiu depressa

pudera, uma garrafa foi-se assim como quem não quer a coisa


e estive a refletir com as ondas de álcool e do sol à mistura
sobre a vacina , depois de ter visto, sem álcool, 
um vídeo que explicava o impacto da mesma

ou seja, nenhum, para aquilo que deveria servir

ou melhor, o único impacto será na conta bancária de quem a produziu ´

o fakebook, com seus soldadinhos da pide cibernética ou algorométrica 
bloquearam o meu vídeo

claro, têm que proteger as almas de quem não sabe pensar por si
e os interesses dos que pregam que estão a proteger os coitados que não sabem pensar, nem tomar conta de si

e, depois disso, após ir passear a minha cadela,  vejo Deus em cada esquina, flores, nuvens, harmonia, 
que só posso fazer mais uma oração a pedir protecção e compaixão por todos aqueles que se acham donos da verdade

a verdade velada aos  ignorantes, dos quais faço parte.

Mas mesmo não conhecendo a verdade, o meu coração sem mente
dá sinal
principalmente quando a mente que mente está toldada pelo álcool 
iludida, embriagada, salta-lhe a verdade escondida

tão louca, como uma mulher condenada à  bruxaria que foge ao fogo da inquisição

18 dezembro 2020

Dos tempos do encontro entre os gigantes

 A Vida é complexa e simples, criativa, abundante e livre. 

Os animais não têm leis nem governos, há uma espécie de organização natural em que todos sabem fazer o que é certo para não destruir a sua fonte de recursos, 

os ventos não têm ministérios de ensino, porque viajam dando liberdade à sua curiosidade, 

os rios não casam, unem-se e vão juntos em direcção ao mar, 

os mares não têm hospitais pois o sal previne as doenças, 

as árvores não precisam de bancos, contratos e espaços comerciais, porque toda a riqueza que produzem é distribuída por todos que precisam dos seus frutos, abrigo e sombra, 

as nuvens não são exércitos armados, apenas carregam nutrientes e água para nutrir todos os que vivem na terra , 

os lagos não dão as notícias, apenas refletem 

e o sol não tem uma empresa para gerir o sistema solar, pois a sua liderança inspira os planetas a seguirem-no numa dança perfeita através do espaço. 

A vida Humana é complicada, melodramática, violenta, obcecada pela verdade e cheia de prisões legais e mentais.

Que estranhos somos...

Ou estúpidos mesmo? 

16 agosto 2020

Queria ser um cão

Certo amigo disse-me: “Epá, queria ser um cão”

Isto porque me contava que o seu cão teve um problema e levou-o a uma clínica tão impressinante, que em 70 anos de vida nunca tinha visto um hospital para pessoas com aquelas soberbas condições físicas e humanas.

Fiquei a refletir por uns dias sobre o assunto.

E vagueei sobre a vida daquelas pessoas que perderam a fé nos outros (embora quem perde a fé nos outros, perde também a fé em si) e dedica-se aos animais, sendo o mais adorado os da espécie canina, sempre disponível para todos os caprichos humanos, activos, engraçados e tão dependentes que até dá gosto ter a tal âncora que seus donos tanto precisam. 

Também já tive muitos cães, e adoro cães, mas acho estranha esta forma moderna de se relacionar com eles, mais parece uma dependência que uma relação de partilha de amor livre.

Depois, os meus pensamentos voaram, incrível o que os pensamentos podem fazer,  e sobrevoaram sobre a indústria à volta dos animais de estimação das pessoas que vivem nas cidades, desde spas e hotéis até comidas especiais e roupinhas. 

E depois comecei a tripar quando me lembrei que estas mesmas caridosas pessoas, que dizem amar os animais, comem carne de animais que levaram uma vida de dor, exploração, solidão e medo. Sem falar dos antibióticos, hormonas de crescimento e mais uns pozinhos de perlimpimpim produzidos nos laboratórios da senhora poderosa indústria farmaceutica, para que a meta do lucro seja alcançada, e que é ingerida por aqueles que mastigam as suas carnes doentes.  

E já ia eu lançada na montanha russa de emoções que os animais humanos me provocam, um mix de desprezo e compaixão, incredulidade e susto, desgosto e desapontamento e assim por diante, que tive que correr para aqui e vomitar toda a minha má disposição que estes meus pensamentos me provocaram.

Até eu queria ser um cão, não para receber atenção, mas para me livrar do pensar. 


07 agosto 2020

Fotografias

Cheguei eu, menina da linha de Cascais, àquela aldeia do interior das Beiras, que parecia ter ficado atrasada no tempo. 

A calçada de pedra da minha rua rugia quando passava a carroça com o boi do Sr Zé, que cheirava rapé.  

O edifício da escola era ainda daqueles do Estado Novo e os seus professores rígidos da idade que emperra os ossos, mas também rígidos de mente. 

Aquela escola cheia de crianças da aldeia foi onde se deu a contaminação. 

Os meus belos cabelos louros ficaram pejados de piolhos. 

A minha mãe, aflita com tamanha invasão de parasitas, não foi de modos, aplicou logo uma medida radical. Rapou-me o cabelo. Lembro-me de andar com um lenço, pois faziam troça de mim.

Hoje encontrei uma fotografia do primeiro verão, depois do acontecimento, em que o meu cabelo já estava mais ou menos composto. Comia alegre um choco com tinta.

Incrível como as fotografias nos fazem viajar no tempo.

03 maio 2020

Corona meu amor

Estão todos focados no medo, na crise económica, que não conseguem ver que este vírus é uma oportunidade para a humanidade fazer mudanças profundas e significativas nos seus paradigmas sociais, económicos, familiares, pessoais e, principalmente, na forma como cuidam da Natureza.

De tão entorpecidos que estão, não aproveitam esta paragem para refletir sobre o que realmente importa, sabem lá o que importa, em vez disso, reclamam, descarregam as suas frustrações nas redes sociais, enchem-se de papel higiénico, de comida e bebida de plástico, deleitam-se na melancolia e nem tiram o pijama, alimentam o drama que os media tanto gostam de espalhar, a desgraça, a dor, o vitimismo, coitadinhos de nós, que crise nunca vista na história.
Assumir a responsabilidade pela saúde frágil que têm, provocada por uma vida de má alimentação, poluição, exploração dos animais, vidas sem sentido centradas em egos fúteis, stressadas a produzir e a consumir como se não houvesse amanhã  claro que não, impensável, a culpa é do vírus mau.  Somos todos vítimas inocentes.

E lamentam, que desgraça,  coitadinhos dos probrezinhos que são reflexo do modelo económico injusto e opressor, coitadinhas das famílias que têm que aturar os filhos que nem sabem bem porque os têm, coitadinhos dos maridos que já não podem ver as mulheres que julgavam amar para toda a vida, coitadinhos dos professores assoberbados por um sistema educacional altamente burocrático e limitador do conhecimento, coitadinhos dos pais trabalhadores que não conseguem gerir o trabalho em casa com a família, coitados dos médicos que não sabem curar  e que nada mais são que bonecos que só sabem remediar com medicamentos  que fazem enriquecer a indústria farmaceutica, coitadinhos daqueles que estão presos em casa inibidos de destilar o seu ódio pelas ruas, praias e discotecas, coitadinhos dos velhinhos que já vivem vidas miseráveis cheios de doenças e dores a morrerem, coitadinha da economia que está a afetar os lobbys do petróleo, dos grandes capitalistas e dos seus escravos, coitadinhos dos políticos que parecem baratas tontas a tentar encontrar soluções para apagar o fogo com panos esfarrapados de modelos e medidas económicas e políticas obsoletas.

Deveria ter compaixão por estas probres gentes vítimas deste terrível vírus, mas  sinceramente não tenho, o que me deixa com algum peso na consciência por estar tão feliz por isto tudo estar a acontecer, não consigo controlar a gratidão que sinto por ver a Babilónia a ruir e a alegria da perspectiva da sua queda, da queda da demagogia, da mentira, da ganância, da inconsciência, da violência, da injustiça, do materialismo.

E estou a adorar que os estúpidos líderes dos EUA e Brasil tenham decidido não parar, que bom, é da maneira que vai ser feita uma limpeza profunda de gente estúpida que destroi a Natureza e que não acrescenta nada à construção de uma nova Terra.

Que me perdoem pela minha alegria, que me perdoem a minha ingénua esperança de que é agora que a humanidade vai acordar para a vida.

E oro todos os dias para sejam os fins dos tempos desta civilização doente e decadente e que depois da queda renasça uma nova comunidade de humanos mais solidários, com uma economia sustentável, com um sistema de ensino que realmente estimule o conhecimento, com famílias felizes e coesas e uma sociedade mais amorosa.

Posso estar a delirar, mas não consigo evitar sentir este doce delírio.


26 março 2020

Corona meu amor



É tão triste que a humanidade tenha de ser forçada à mundança com tanta dor.
Sadomasoquistas do c*********



26 fevereiro 2020

O primeiro passeio cyber do ano


Tenho uma tendência para navegar fora do mainstream, é por isso que este meu blogue é quase invisível, e isso é que é interessante, na era da comunicação, é tanta a informação que ficamos perdidos na net, e aqueles que não são apanhados na rede, ficam assim por aí sem ataques nem fugas, a observar sem serem observados.

É como estar aqui a escrever para mim, onde tudo é possível, umas vezes ejaculo de alegria, outras vomito de dor, e quando rebolo na lama da parvoíce? Ou deleito na alcofa da ironia?

Ninguém me vê.

Este reduto cibernético público ínvisível é um recanto acolhedor das minhas divagações, marcos, memórias e reflexões, não fosse este lugar um diário do Romeiro, aquele que regista a caminhada pelos tempos, lentos e rápidos, do passado, do futuro, das ilusões e das criações mirabulantes da mente.

A lama, a água cristalina, a montanha e o vento, o sabor do café que não consigo deixar de tomar todas as manhãs.

A fuga do real, qual real? O que é real?

O dia a dia que os humanos inventaram, máquinas de produção.
E porque não fazemos máquinas e passamos a ter tempo para usufruir do nós dispersos no tempo, sem a pressão dos ponteiros da competição e o tic-tac da produtividade.
Lentamente, também.
E depois depressa, mas ter tempo para parar, ir parando devagar.

É o que a Natureza me tem mostrado. Há tempos calmos, com noites longas e frio que convida a ficar dentro, e noites curtas e dias quentes que empurram para as águas, a noite e as viagens.

A Primavera está a começar.

Nem tinha reparado que é o primeiro post  que escrevo, neste ano do Rato Metal.

Um ano de inícios.


Adoro inícios!

08 dezembro 2019

Madrugada rara


Hoje é dia de gratidão
Os amigos
A família
Os meus filhos, tesouro eterno
Eu, tão linda e feliz
Compreendo, espanto-me
Mas é mais forte a fé em nós
Parece uma teia emaranhada, complicada, intricada?
Não, está tudo organizado
Nós é que somos ainda cegos e surdos
E faladores, muitas línguas, muitos blá, blás, muita linxação
Letras, palavras, símbolos, ideias, mitos e ritos
Perdidos nos conceitos
Mas aquilo que faz existir abraça isso tudo
Com ternura e jogo de cintura
A dança do agora que guardamos como memórias e sonhos.

Olha-me isto, heim!?

31 agosto 2019

Órfã


O meu pai morreu
O seu corpo desapareceu do planeta Terra
E com ele se foram os melhores abraços
Foi já há um ano
Mas continua a espiral de atordoamento
Primeiro, ver antes do tempo um futuro sombrio
Depois vê-lo a definhar como a minha mãe definhou
Agosto, desgosto, mês de dor
E continua a espiral de emoções
Foi o primeiro aniversário, o primeiro Natal, o primeiro dia do Pai sem Pai
O meu amigo confidente,
Já senti de tudo, 
Impotência, raiva, tristeza, pena, desgosto, nostalgia, gratidão, amor, saudade.
Mas agora é um sentimento que não sei explicar, não é bem um sentimento
É uma espécie de mistura 
Um vazio muito cheio
É um viver assim
Um buraco em mim 


01 fevereiro 2019

Montanha com tesouro procura explorador aventureiro, agerrido e amoroso


A montanha tem um filão de ouro e outras belas pedras preciosas espalhadas no seu regaço.
Ela tem um tesouro.
O ouro vale muito e as pedras preciosas também.
O mundo procura e valoriza o ouro e as pedras preciosas.
Mas para que o ouro e as pedras preciosas cheguem ao mundo
A montanha terá de ser explorada
O ouro derretido, as pedras lapidadas.
Por isso, a Montanha, com um tesouro inexplorado
Procura explorador aventureiro, agerrido e amoroso para colher e espalhar ouro e pedras preciosas pelo mundo, para multiplicar a riqueza humana.
Pois a riqueza humana é igual ao tesouro da montanha,
Está no seu interior.


17 janeiro 2019

E fez-se Luz

Eles são especialistas
Eu sou especial

30 novembro 2018

Os tempos



Quando era adolescente tinha que esperar uma semana para poder ver os telediscos na televisão, e com sorte ver o vídeo mais desejado.
Ouvia os programas de rádio e esperava pacientemente por aquela música.
Gravava cassetes torcendo para que o locutor da rádio não cortasse a música antes de acabar.
Hoje está tudo a um clique de um dedo.
Que impacto terá esta facilidade no desenvolvimento da paciência, na adrelina da antecipação, na alegria da conquista do difícil, na presenverança dos adolescentes de hoje?
Não sei, se calhar nenhum, só os tempos dirão.

28 outubro 2018

Intolerância?


Porque sofro?
Não deveria estar a sofrer.
Se sofrer é desequilíbrio, o que estou eu a não conseguir equilibrar?
Será sencionalismo, e o coiso não é nenhuma ameaça?
Se estou aqui longe, porque me choco com as pessoas que prezo?
Porque não aceito as suas escolhas?
Serei intolerante?
Nas vésperas da eminente vitória de um coiso
Um ser que é estranho, que me incomoda.
O Brasil que moldou a minha adolescência
Um Brasil mudado, agressivo, perdido
Porque sinto tanta dor?