Eu nem queria ir.
Romeiro
02 julho 2026
80 e 26
31 outubro 2022
Librianos ...
Os humanos assustam-me.
Mas também me divertem,
Com os seus paradoxos, fatalismos, dogmas e ilusões.
E eu , em cima do muro, entre a miséria e a glória humana
Vou observando e sentindo
Entre o desgosto e a esperança
Nesta solitude de querer trazer mais seres para junto de mim no paraíso.
Entre seguir só, feliz e em paz, numa vida tranquila que já alcancei,
Ou fazer qualquer coisa pelo mundo, que certamente envolve tormentos e sustos.
E depois de algumas reflexões, nem sei ao certo, sento-me no muro a rir
Ali, parada a rir,
Outras vezes a chorar
E a não fazer nada.
08 agosto 2021
"Let's stay together"
Clubes, patriotismos, poderes, bairrismos, santos, religiões, partidos, famosos
Qualquer tipo de ídolo,
Talvez tenha levado a sério os 10 Mandamentos de Moisés
quando os li em criança
Ou porque tenho alma de anarquista e gosto é de ser livre.
Seja qual for a razão
Sempre pensei que não tinha ídolos
E agora estou aqui a refletir,
pois há um ser neste planeta Terra
que admiro de tal forma que até parece ser um ídolo,
uma mulher maravilhosa, admirável, talentosa e humilde
a mulher mais interessante que conheço,
não a conheço pessoalmente,
nem tive a loucura suficiente para a ir ver e ouvir num dos seus últimos concertos,
embora o destino me levasse a Londres no dia desse concerto,
Que sacrilégio!
Não a conheço, mas sinto que estou em sintonia com a sua energia
E fico aqui a pensar se afinal tenho um ídolo
E se tenho, olha, que assim seja
pois se ela for um ídolo
a Tina é certamente um dos bons.
23 junho 2021
35 anos depois
Linda flor num vaso
No parapeito da janela
As pessoas passam por acaso
Sem perceberem a presença dela
E assim, o tempo passou
E a rotina das pessoas continuava,
De sede a linda flor murchou
Porque ninguém a regava
Os fortes raios de sol a torravam
As pessoas agora faziam caso
Com desdem a olhavam
"- Que feia flor naquele vaso."
Junho 1986
35 anos depois e nada mudou...
09 junho 2021
"Dou-te um pontapé no cu, que morres de fome no ar"
Meu amigo, meu irmão, meu amor
44 anos do sol juntos
As torradas de trigo transgénico com manteiga e a ciência
eram as tuas aliadas
Afinal vamos todos morrer um dia
E o que importa é viver no agora
Mas eras tão novo, tão perto de mim, tão sorridente
Meu amigo, meu irmão, meu amor
Cabrão que não me ouviste
Que não ouviste o teu corpo
Meu querido, meu amor
Tomar banho no rio Alva
Tão gelado como a morte
Nós nus, como a vida.
A minha primeira viagem na moto bmw de Coimbra Porto
O festival de 1982.
A saudade dos 10 anos separados por um oceano
E reencontro e os nossos filhos
A tua afilhada sem padrinho
Oh Mike, meu amigo, meu irmão, meu amor
Nus deitados numa cama de hotel
De destinos cruzados
Sem carne, só amor fraternal
Meu irmão mais velho, meu amigo, meu amor
Carago, puta da minha vida
Apressaste-te
03 junho 2021
“Don’t cry”
As pessoas dizem que não gostam de sofrer, mas estão sempre em sofrimento.
Um mundo de sofrimento auto-infligido pelos dogmas, pela violência, pelo medo, pela soberba, pela doença, pela ignorância.
Fiquei sem voz, sem palavras, só emoções que me rompem os tímpanos e as entranhas de sensações estranhas por estar a existir nesta dimensão tão densa de dor, confusão e turpor.
E despertar doi, a luz ofusca, e há este resistir em não ser especial , porque a responsabilidade é maior, e há esta tentação em seguir o caminho mais fácil, o das ruas da amargura, do fatalismo, da crença cega em algo que não vale nada.
Abruptamente invadem-me rios lamacentos de incertezas, de perdição humana, tão perdida como uma criança numa floresta à noite a ouvir o silêncio dos pirilampos.
Depois vem a música, aquele veículo de comunicação que às vezes toca os pés da eternidade , essa essência perdida no espaço que é tão eterna quanto misteriosa e que nos esmaga de tanta grandeza que até parece bom demais para acreditar que é verdade.
E nessa descrença no milagre do sagrado, que foi profanado e conspurcado pelos medos e ímpetos violentos vividos através dos tempos humanos, cá estamos em queda, como a Alice, que disse ter visto um coelho atrasado que nem sabe porque está atrasado, mas o facto de estar atrasado dá-lhe um propósito de vida, ir sem saber porque se vai, ou melhor, vai-se por medo, porque existe uma rainha que corta cabeças. E esta mistura de queda com a ilusão de ter que ir, é como a coca-cola com whisky que rebenta com o fígado e o cérebro.
Fuga, sai de retro, vou para a frente, vou para trás e rodo e volto a avançar, e doem-me os joelhos porque não me consigo dobrar.
Roçar na morte da carne, tão tentador, roçar no renascimento em outra vida sem corpo, somente yin e yang disperso na não matéria.
E depois vejo o rosto dos meus filhos, tão lindos, e vêm os apegos terrenos, o toque, os abraços, os beijos, os cheiros, a comida, a música, ah a música.
E o resultado da esplanação dá para ver que faço parte do clã de ser gente, a gente que sofre, mas a diferença, é que sabendo eu que o sofrimento é uma ilusão, doi tanto que até dá mais vontade de viver, seja no planeta Terra, seja onde for.
19 abril 2021
In vino veritas
Estive a trabalhar o fim-de-semana inteiro
e hoje almocei na varanda ao sol e o rosé subiu depressa
18 dezembro 2020
Dos tempos do encontro entre os gigantes
A Vida é complexa e simples, criativa, abundante e livre.
Os animais não têm leis nem governos, há uma espécie de organização natural em que todos sabem fazer o que é certo para não destruir a sua fonte de recursos,
os ventos não têm ministérios de ensino, porque viajam dando liberdade à sua curiosidade,
os rios não casam, unem-se e vão juntos em direcção ao mar,
os mares não têm hospitais pois o sal previne as doenças,
as árvores não precisam de bancos, contratos e espaços comerciais, porque toda a riqueza que produzem é distribuída por todos que precisam dos seus frutos, abrigo e sombra,
as nuvens não são exércitos armados, apenas carregam nutrientes e água para nutrir todos os que vivem na terra ,
os lagos não dão as notícias, apenas refletem
e o sol não tem uma empresa para gerir o sistema solar, pois a sua liderança inspira os planetas a seguirem-no numa dança perfeita através do espaço.
A vida Humana é complicada, melodramática, violenta, obcecada pela verdade e cheia de prisões legais e mentais.
Que estranhos somos...
Ou estúpidos mesmo?