18 maio 2015

Terra dos Sonhos

"De repente percebemos que o Sonho é de facto alcançável. Mas na Terra. No real que antes era um muro. E não fora dele. E quando entendemos que a felicidade, afinal, nunca fugiu. Nós é que fugimos dela. Porque não há nada mais feliz do que estar-se bem com quem se é e com o que se tem. Não querer ser diferente nem ter mais."

Quando li este artigo senti que não estou só, aaah, que maravilha, estamos mesmo a entrar na era de Aquário!

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11 maio 2015

O poeta e a poema

"- Porque choras, pai? – perguntou a Dora.
- Não choro, filha, estou a dar de beber a um peixe que existe dentro de mim….
Dora colou-me os braços à volta do pescoço.
- Pai, és um poeta! – murmurou num sorriso.
-E tu um poema, respondi."


João Morgado in Diário dos Infiéis

24 abril 2015

The path less traveled


É tão mais fácil representar um papel que investir no autoconhecimento sem medo de SER.
É tão mais fácil a mediocridade, a lei do menor esforço, a maldade e usar a inteligência para a destruição. É tão mais simples copiar, criticar, mentir e roubar. É tão mais importante ter poder para evitar a sensação de desamparo. É tão mais prático tomar uma substância para aliviar os sintomas. 
É tão menos preocupante não acreditar em nada.

Difícil é Ser-se virtuoso e aceitar o nosso Eu. Difícil, é sentir no coração o amor a Deus, que é o mesmo que dizer: amar todas as coisas da Terra e arredores, inclusive a nós próprios. Custa tanto evitar emoções de medo e não alimentar crenças baseadas na incerteza que querem ter certeza. Cansa tanto pensar… É chato evitar destruir a saúde do corpo cebola. 
É tão árduo usar a inteligência criativa e a humildade e seguir o caminho de uma vida virtuosa.

Por isso quase toda a humanidade escolheu o caminho mais fácil…


Eu escolhi o outro caminho. 

20 abril 2015

A decadência de mais um Império

"Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta
  
Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera

Ninguém te pode ajudar"

Jorge Palma

04 março 2015

A lenda da Árvore e da Terra


O Vento soprava airoso e a Árvore dançava e cantava com ele.
A Árvore repara na Terra abaixo da sua copa frondosa e em tom provocativo pergunta-lhe:
- Então? Não dizes nada? Não fazes nada? Não sabes dançar?
A Terra permanece calada e sem se mover.
A Árvore pensa: Terra estúpida, não sabe o que é vida! Cantar, dar flores e frutos é tão útil e lindo! Dançar ao vento e ver as coisas aqui de cima, de todos os lados, tomar banho de Chuva e comer raios de Sol! Ah! Como é bom ser árvore!
A Árvore continuava alegre da vida a brincar com o Vento, a Chuva e o Sol.
Os seus frutos e folhas caíram em cima da terra que permanecia imóvel e silenciosa.
- Esta Terra é tão taciturna – diz a Árvore irritada em voz alta certo dia.
O Inverno chegou, o Vento ficava mais frio e agressivo, o Sol mais escondido e os seus troncos estavam nus, sentia-se um pouco só e pensou novamente na Terra.
- oh Terra que nada fazes e nada dizes. És tão chata!
A Terra compadece-se do tormento equivocado da Árvore e resolve responder-lhe:
- Querida árvore, cada qual é como é, enquanto tu vês o mundo em diferentes perspetivas e eu só numa, enquanto danças e cantas com o vento, eu estou aqui a receber os teus frutos e folhas e a transforma-los em alimento, com uma pitada dos meus minerais para te dar energia e força para dançares e cantares e para dares lindas flores e doces frutos. Estou aqui por ti, para acalentar e nutrir as tuas raízes e sementes a tornarem-se novas árvores. Estou aqui por mim, porque fico feliz por te ver feliz a dançar e a cantar. Por adorar ver as estrelas por entre os teus braços nus e porque és sempre linda!

A Árvore, muito surpreendida com este relato e tomando consciência que as suas raízes estavam ligadas ao corpo da Terra, aceita essa ligação, não porque se resigna à diferença do caráter da Terra, mas porque soube que só podia ser Árvore graças a ela. 

28 fevereiro 2015

R.I.P.

As minhas avós morreram.
Tiveram longas vidas.
A Mêmê, Lia, a avó paterna nasceu em Lisboa em 1919, filha de famílias dos arredores de Coimbra foi para Paris aos 3 anos de idade. O seu pai era joalheiro e fazia peças para Lalic e outros clientes prestigiados. Na idade escolar foi para um colégio de freiras onde não gostava de dormir. Tornou-se a melhor aluna para poder ir dormir a casa dos pais. Queria estudar medicina.
Uns anos depois, em 1927 nascia em Nova Lisboa, hoje Uambo, a minha avó materna, a Vóvónita, Anita, filha de um emigrante português com uma pobre mulatinha. Como era um homem de bem, foi buscar a filha com 2 anos e enviou-a para a capital do Império viver com os padrinhos abastados a fim de receber a melhor educação. Adorava os padrinhos e vice-versa, patinava com mestria e foi campeã de ténis.
Andavam bem as duas nas suas vidas de estudantes exemplares quando se deu a 2ª guerra mundial. Hitler invade Paris e a Mêmê e a sua mãe apanharam o último comboio que saia de França após a ocupação. Ficou exilada em Portugal, interrompeu os estudos porque não falava português.
O pai da Vóvonita entretanto tinha já casado e com a vida estruturada manda vir a sua filha de 15 anos de volta para Nova Lisboa. Foi o primeiro grande desgosto dela, mal conhecia o pai…
Mas como o universo é generoso, os ventos trouxeram-lhes os seus amores (para sempre) e casaram.
O marido da Mêmê foi construir as fábricas de cimento da Matola em Moçambique durante a década de 50 e foi lá que o meu pai passou a infância. No início de 60 voltam para Portugal indo viver em Oeiras.
A guerra das colónias começou, a Vóvónita cansada das aventuras libidinosas do meu avô, volta à capital em 1962 para criar os seus 5 filhos sozinha, na Parede.
Foi aí, por volta de 1968 que os meus pais se conheceram.
A Mêmê viveu o seu grande amor, 50 anos de vida partilhada com muita alegria e cumplicidade. Viajou pelo mundo, era culta e uma mulher distinta. Uma mãe próxima, avó e bisavó interessada. Uma idosa inspiradora que cantava Edith Piaf nas festas, que tinha mais amigos jovens e que conduziu até aos 90 anos.
A Vóvónita decidiu voltar para Angola em 1970, mas com a guerra mudou-se para o Rio de Janeiro em 1974 e acabou no interior de Minas Gerais. Foi uma empresária de sucesso com clientes em todo o país. Mas nunca mais amou ninguém, embora separados, a família sabe que os avôs nunca deixaram de se amar, continuaram casados durante 50 anos e terem a desculpa para não se comprometerem. Uma mulher elegante, bela "guerreira" e educada. Uma idosa conselheira e viajante, andava sempre a visitar a família e amigos entre estados do Brasil, o Arizona e Portugal.
Por causa da união dos meus pais tornaram-se amigas, não por obrigação ou conveniência, mas porque se admiravam, talvez de tão diferentes que eram uma da outra. Tinham em comum a boa educação, um grande amor e as palavras cruzadas. Acabaram ambas velhinhas a viver com os seus filhos “preferidos” e rodeadas de cuidados, amor e atenção. E morreram no mesmo ano e mês com dois dias de diferença.
E eu perdi as minhas adoradas avós, assim, de acentada, mas aceito com serenidade porque tive relações muito especiais com ambas, contribuíram para moldar a minha peculiar personalidade e fizeram-me muito feliz.
E estava na hora de partirem para outras paragens.

E eu ainda por cá vou ficando, com as minhas memórias, gratidão e amor eterno.

27 fevereiro 2015

Romeiro

É sempre assim, tudo muito intenso. 
Umas vezes penso que é bom, o que seria de uma vida sem grandes aventuras? 
Outras, penso que é demais para o meu coração, como posso aguentar tanta emoção, tantas experiências marcantes? Porque tenho que viver assim tão intensamente? 
Ou é o destino que me dá estes desafios e abanões para não adormecer ou apodrecer nas entranhas da vida vã?

22 janeiro 2015

"To be or not to be"

“We have to dare to be ourselves, however frightening or strange that self may prove to be.”

 May Sarton (1912-1995)