"De repente percebemos que o Sonho é de facto alcançável. Mas na Terra. No real que antes era um muro. E não fora dele. E quando entendemos que a felicidade, afinal, nunca fugiu. Nós é que fugimos dela. Porque não há nada mais feliz do que estar-se bem com quem se é e com o que se tem. Não querer ser diferente nem ter mais."
Quando li este artigo senti que não estou só, aaah, que maravilha, estamos mesmo a entrar na era de Aquário!
Mais? Aqui
18 maio 2015
11 maio 2015
O poeta e a poema
"- Porque choras, pai? – perguntou a Dora.
- Não choro, filha, estou a dar de beber a um
peixe que existe dentro de mim….
Dora colou-me os braços à volta do pescoço.
- Pai, és um poeta! – murmurou num sorriso.
-E tu um poema, respondi."
João Morgado in Diário dos
Infiéis
24 abril 2015
The path less traveled
É tão mais fácil representar um papel que investir no autoconhecimento
sem medo de SER.
É tão mais fácil a mediocridade, a lei do menor esforço, a
maldade e usar a inteligência para a destruição. É tão mais simples copiar,
criticar, mentir e roubar. É tão mais importante ter poder para evitar a
sensação de desamparo. É tão mais prático tomar uma substância para aliviar os
sintomas.
É tão menos preocupante não acreditar em nada.
Difícil é Ser-se virtuoso e aceitar o nosso Eu. Difícil, é sentir
no coração o amor a Deus, que é o mesmo que dizer: amar todas as coisas da
Terra e arredores, inclusive a nós próprios. Custa tanto evitar emoções de medo
e não alimentar crenças baseadas na incerteza que querem ter certeza. Cansa
tanto pensar… É chato evitar destruir a saúde do corpo cebola.
É tão árduo usar
a inteligência criativa e a humildade e seguir o caminho de uma vida virtuosa.
Por isso quase toda a humanidade escolheu o caminho mais
fácil…
Eu escolhi o outro caminho.
20 abril 2015
A decadência de mais um Império
"Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória
Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória
Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar
Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta
Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta
Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças
Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças
Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar"
Jorge Palma
04 março 2015
A lenda da Árvore e da Terra
O Vento soprava airoso e a Árvore
dançava e cantava com ele.
A Árvore repara na Terra abaixo
da sua copa frondosa e em tom provocativo pergunta-lhe:
- Então? Não dizes nada? Não
fazes nada? Não sabes dançar?
A Terra permanece calada e sem se
mover.
A Árvore pensa: Terra estúpida,
não sabe o que é vida! Cantar, dar flores e frutos é tão útil e lindo! Dançar
ao vento e ver as coisas aqui de cima, de todos os lados, tomar banho de Chuva
e comer raios de Sol! Ah! Como é bom ser árvore!
A Árvore continuava alegre da
vida a brincar com o Vento, a Chuva e o Sol.
Os seus frutos e folhas caíram em
cima da terra que permanecia imóvel e silenciosa.
- Esta Terra é tão taciturna –
diz a Árvore irritada em voz alta certo dia.
O Inverno chegou, o Vento ficava
mais frio e agressivo, o Sol mais escondido e os seus troncos estavam nus,
sentia-se um pouco só e pensou novamente na Terra.
- oh Terra que nada fazes e nada
dizes. És tão chata!
A Terra compadece-se do tormento
equivocado da Árvore e resolve responder-lhe:
- Querida árvore, cada qual é
como é, enquanto tu vês o mundo em diferentes perspetivas e eu só numa,
enquanto danças e cantas com o vento, eu estou aqui a receber os teus frutos e
folhas e a transforma-los em alimento, com uma pitada dos meus minerais para te
dar energia e força para dançares e cantares e para dares lindas flores e doces frutos. Estou aqui por ti, para acalentar e nutrir as tuas raízes e sementes a tornarem-se novas árvores. Estou aqui por mim, porque fico feliz por te ver
feliz a dançar e a cantar. Por adorar ver as estrelas por entre os teus braços
nus e porque és sempre linda!
A Árvore, muito surpreendida com
este relato e tomando consciência que as suas raízes estavam ligadas ao corpo
da Terra, aceita essa ligação, não porque se resigna à diferença do caráter da
Terra, mas porque soube que só podia ser Árvore graças a ela.
28 fevereiro 2015
R.I.P.
As minhas avós morreram.
Tiveram longas vidas.
A Mêmê, Lia, a avó paterna
nasceu em Lisboa em 1919, filha de famílias dos arredores de Coimbra foi para
Paris aos 3 anos de idade. O seu pai era joalheiro e fazia peças para Lalic e
outros clientes prestigiados. Na idade escolar foi para um colégio de freiras
onde não gostava de dormir. Tornou-se a melhor aluna para poder ir dormir a
casa dos pais. Queria estudar medicina.
Uns anos depois, em 1927 nascia
em Nova Lisboa, hoje Uambo, a minha avó materna, a Vóvónita, Anita, filha de um
emigrante português com uma pobre mulatinha. Como era um homem de bem, foi
buscar a filha com 2 anos e enviou-a para a capital do Império viver com os
padrinhos abastados a fim de receber a melhor educação. Adorava os padrinhos e
vice-versa, patinava com mestria e foi campeã de ténis.
Andavam bem as duas nas suas
vidas de estudantes exemplares quando se deu a 2ª guerra mundial. Hitler invade
Paris e a Mêmê e a sua mãe apanharam o último comboio que saia de França após a
ocupação. Ficou exilada em Portugal, interrompeu os estudos porque não falava
português.
O pai da Vóvonita entretanto tinha
já casado e com a vida estruturada manda vir a sua filha de 15 anos de volta
para Nova Lisboa. Foi o primeiro grande desgosto dela, mal conhecia o pai…
Mas como o universo é generoso, os ventos trouxeram-lhes os seus amores (para sempre) e casaram.
O marido da Mêmê foi construir
as fábricas de cimento da Matola em Moçambique durante a década de 50 e foi lá
que o meu pai passou a infância. No início de 60 voltam para Portugal indo
viver em Oeiras.
A guerra das colónias começou, a
Vóvónita cansada das aventuras libidinosas do meu avô, volta à capital em 1962
para criar os seus 5 filhos sozinha, na Parede.
Foi aí, por volta de 1968 que os
meus pais se conheceram.
A Mêmê viveu o seu grande amor,
50 anos de vida partilhada com muita alegria e cumplicidade. Viajou pelo mundo,
era culta e uma mulher distinta. Uma mãe próxima, avó e bisavó interessada. Uma idosa
inspiradora que cantava Edith Piaf nas festas, que tinha mais amigos jovens e
que conduziu até aos 90 anos.
A Vóvónita decidiu voltar para
Angola em 1970, mas com a guerra mudou-se para o Rio de Janeiro em 1974 e
acabou no interior de Minas Gerais. Foi uma empresária de sucesso com clientes
em todo o país. Mas nunca mais amou ninguém, embora separados, a família sabe
que os avôs nunca deixaram de se amar, continuaram casados durante 50 anos e terem
a desculpa para não se comprometerem. Uma mulher elegante, bela "guerreira" e educada. Uma
idosa conselheira e viajante, andava sempre a visitar a família e amigos entre
estados do Brasil, o Arizona e Portugal.
Por causa da união dos meus pais
tornaram-se amigas, não por obrigação ou conveniência, mas porque se admiravam,
talvez de tão diferentes que eram uma da outra. Tinham em comum a boa educação, um grande amor e as palavras cruzadas. Acabaram
ambas velhinhas a viver com os seus filhos “preferidos” e rodeadas de cuidados,
amor e atenção. E morreram no mesmo ano e mês com dois dias de diferença.
E eu perdi as minhas adoradas
avós, assim, de acentada, mas aceito com serenidade porque tive relações muito
especiais com ambas, contribuíram para moldar a minha peculiar personalidade e
fizeram-me muito feliz.
E estava na hora de partirem
para outras paragens.
E eu ainda por cá vou ficando,
com as minhas memórias, gratidão e amor eterno.
27 fevereiro 2015
Romeiro
É sempre assim, tudo muito
intenso.
Umas vezes penso que é bom, o que seria de uma vida sem grandes
aventuras?
Outras, penso que é demais para o meu coração, como posso aguentar
tanta emoção, tantas experiências marcantes? Porque tenho que viver assim tão intensamente?
Ou é o destino que me dá estes desafios e abanões para não adormecer ou apodrecer nas
entranhas da vida vã?
22 janeiro 2015
"To be or not to be"
“We have to dare to be ourselves, however frightening or strange that self may prove to be.”
May Sarton (1912-1995)
May Sarton (1912-1995)
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